Você precisa mesmo de um carro?

E de um segundo carro?


Ainda que muitas pessoas digam que seu sonho é adquirir a casa própria, a verdade é que o brasileiro, de modo geral, tem como objetivo principal adquirir um carro, de preferência 0km. Típico pensamento de um país subdesenvolvido.

Para se ter uma ideia, enquanto o número de veículos nos países latino-americanos está em franca ascensão, apesar da crise econômica, o número de veículos em países da Europa está em queda. Sabe por que? Não apenas é ambientalmente sustentável utilizar o transporte público, como é mais barato e saudável andar de ônibus, de metrô, de bicicleta ou a pé. Além disso, ao utilizar o transporte público ou ir de bicicleta ou a pé, você economiza tempo, não se estressa com o trânsito e ainda melhora sua saúde, benefícios estes inexistentes se você usa o carro até mesmo para ir à padaria.


Eu sei, é claro, que em muitas cidades brasileiras o transporte pública é de péssimo qualidade ou não é acessível, mas em muitos casos pode ser adotado sem grandes dificuldades. Quantas pessoas moram a 1km, 2km ou 3km do trabalho e vão todos os dias, sozinhas, de carro? (eu sou uma delas, confesso)

Enfim, a pergunta que você deve se fazer é: um carro é mesmo necessário? Ou, se já existe um carro em sua casa, para que eu preciso de um segundo carro?

Por exemplo, aqui em casa, apenas eu e meu pai dirigimos. Temos dois carros, é verdade, mas confesso que adquiri o meu mais por pressão da família e da sociedade que por necessidade. Trabalho a cerca de 3 quilômetros e poderia muito bem ir a pé ou de bicicleta, ou de ônibus, nos dias de chuva. À noite, poderia pegar emprestado o carro da família para sair, já que, em geral, meu pai não o está usando nesse período.

E você? Não pode compartilhar o carro com seus pais ou com sua esposa? Não podem adaptar um pouco os horários, para que um possa dar carona ao outro para ir ao trabalho?

Além disso, você sabe qual é o custo de um carro?

A maioria das pessoas, ao adquirir um veículo, pensa apenas no valor do carro em si, sem considerar todos os custos, fixos e variáveis, que o acompanham. Calculam quanto o veículo custará à vista ou se a prestação irá caber no orçamento, sem atentar, por exemplo, para despesas com impostos e taxas (licenciamento anual, seguro DPVAT, IPVA), combustível, manutenção (revisões, consertos, troca de óleo, lavação, etc), estacionamento (na cidade e em casa, se você tiver que alugar ou comprar uma nova vaga de garagem), seguro, entre outros.

Esses custos, que nascem quando você adquire um carro, pesam e muito no seu bolso.

Vejamos o exemplo de um carro adquirido por R$ 60.000,00, considerando ainda uma depreciação de 15%, que ocorre quando o veículo sai da concessionária, e uma depreciação mensal de 0,25%, decorrente do uso:

Depreciação ao sair da concessionária (divida por 4 anos): (R$ 2.250,00)
Depreciação após um ano de uso: (R$ 1.800,00)
Gasto com combustível em um ano (1200km mês e 12km/l): (R$ 1.800,00)
Impostos e taxas: (R$ 1.500,00)
Manutenção: (R$ 1.000,00)

Gasto total anual, incluindo a depreciação ao sair da concessionária: R$ 8.350,00

Percebeu? Quantas corridas de táxi você poderia fazer com R$ R$ 8.350,00? E de Uber? Aliás, esse valor não considera o seguro (R$ 2.000,00) nem a necessidade de se alugar uma vaga de garagem por, digamos, R$ 300,00 por mês (R$ 3.600,00). Com esses valores, você gastaria anualmente com seu carro cerca de R$ 13.950,00!?

Isso sem falar no custo de oportunidade! Com os R$ 60.000,00 depositados na poupança, você ganharia, a título de juros, cerca de R$ 4.800,00 em um ano. Ou seja, o seu carro, comprado à vista, lhe custa, ainda, R$ 18.750,00 por ano!

No meu caso, se eu fosse de ônibus executivo ao trabalho, todos os dias, gastaria cerca de R$ 2.250,00 em um ano, economizando R$ 16.500,00. Se fosse a pé, então...

E ai? O que achou desse cálculo? Não deixe de escrever sua opinião nos comentários.




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