Você sabe quanto custa um funcionário?


Há décadas nossos empresários criticam os altos impostos e contribuições incidentes sobre a folha de pagamento, sendo contestados pelos "intelectuais de esquerda" que afirmam que as empresas brasileiros buscam somente o lucro.

Se você parar para pensar, e pesquisar, no entanto, verá que a reclamação de nossos empresários tem fundamento. O custo de um funcionário, neste país, beira ao absurdo.

E a minha crítica não se dirige ao salário-mínimo, aos benefícios (vale transporte, vale refeição, vale alimentação) ou às contribuições para o INSS e para o FGTS. Ela se dirige aos penduricalhos incidentes sobre a folha de pagamento.

Na realidade, se uma empresa não for optante do simples (empresas com faturamento de até R$ 3.600.000,00), ela terá uma folha de salários com as seguintes características:


Ou seja, se o salário de um funcionário é de R$ 2.000,00 (sem contar os descontos com IR e contribuição ao INSS), seu custo, para uma empresa industrial ou comercial, será de R$ 3.040,00 ao mês.

Isso significa que, considerando-se um salário de R$ 2.000,00, o governo fica todo mês com R$ 817,78 pagos pelo empregador a título de impostos e contribuições, e com R$ 187,20, pagos pelo empregado a título de contribuição ao INSS (R$ 180,00) e de imposto de renda (R$ 7,20). Somando esses valores: R$ 1.004,98!

E isso sem falar em outras contribuições, não destacadas no estudo, mas que também incidem sobre a folha de pagamento, em setores específicos:

- INCRA (2,5%) - paga pela indústrias relacionadas no art. 2º do Decreto-Lei n. 1.146/70
- DPC (Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha) (2,5%) - paga pelas empresas vinculadas ao setor marítimo
- Fundo aroviário (2,5%) - paga pelas empresas vinculadas ao setor aeroviários
- SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) (2,5%)
- SEST (Serviço Social de Transporte) (1,5%)
- SENAT (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) (1%)

Para concluir, parece óbvio dizer, mas menos impostos e contribuições sobre a folha de pagamento e menor burocracia levam a mais empregados com carteira assinada e a maiores salários. O cálculo é simples: para cada aumento de R$ 100,00 na remuneração do empregado, seu custo mensal em impostos e contribuições é elevado em R$ 40,89. Isto é, antes de dar qualquer aumento, os empregadores pensarão duas vezes, já que um aumento de 10% na remuneração na verdade representa não um aumento de R$ 200,00 (considerando-se um salário de R$ 2.000,00), mas uma elevação no custo com funcionários de R$ 304,00 (considerando-se também o 13º e o adicional de férias).

Pessoalmente, sou um defensor da reforma agrária, mas sou contra o seus custeio por uma contribuição incidente sobre a folha de pagamento. Quanto ao SAT e ao salário-educação, estes deveriam ser custeados por outros recursos do orçamento federal, e não diretamente pelas empresas. Por fim, quanto as entidades do sistema S, reconheço que seu trabalho é excelente, porém seu custo e falta de transparência não justificam os descontos efetuados sobre a folha de pagamento.

Juntas, as conbtribuições ao SAT, ao INCRA, ao sistema S e para custear o salário-educação representam, considerando um salário mensal de R$ 2.000,00, R$ 195,55. Só ao sistema S são descontados R$ 68,88 por mês. Faça as contas e pergunte-se onde estão esses bilhões...

Observação: o FGTS foi incluído no valor que o governo arrecada porque, embora em tese seja um fundo do trabalhador, na prática sabemos que seu rendimento real é negativo e que o trabalhador não possui qualquer poder para gerenciar os recursos depositados em seu nome.




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